quarta-feira, 15 de julho de 2009

A festa (quase) perfeita

Tinha em mãos uma rosa, aquela que ele dera pra ela no dia da festa de primavera. Começou a se lembrar daquela noite horrível, um filme passava em sua cabeça, e não parava de repetir pra si mesma que era a única culpada pelo que houve.



Se conheceram na 7ºsérie, viraram amigos, e depois de três anos - já então no 2ºano - começaram a namorar. No dia do aniversário de um ano de namoro, haveria uma festa de primavera no colégio, então resolveram comemorar lá, junto com os amigos, e além disso, a festa tinha tudo pra ser PERFEITA. Antes de irem ele deu à sua namorada uma linda rosa vermelha, e prometeu sempre estar ao seu lado, mesmo após a morte. Ela já tinha bebido demais, e parecia já não ter mais noção do que fazia. Começou a dar em cima dos amigos de seu namorado; na boca dos outros foi eleita a vadia da noite; falava muito palavrões; começou a agir completamente diferente do que era. Seu namorado a observava de longe, não era a primeira vez que a via assim, e obviamente não seria a última. Teve uma sensação de vergonha, ao ficar observando-a. Eles já tinham conversado sobre isso, ela sempre prometia que iria mudar, mas nunca cumpriu sua promessa. Foram embora de carro, no caminho começaram a discutir. A discussão ficava cada vez mais alta, cada vez mais interminável, a cada palavra dada, era como se fosse uma espetada no coração de ambos, a cada momento as magoas iam aumentando, até que, pelo nível de nervosismo e da desatenção, não viram o carro que estava vindo em suas direção. Ela sofreu ferimentos leves. Ele, morreu.



Mesmo depois de meses, não conseguia parar de pensar e sentir a presença dele ao seu lado. A rosa em suas mãos já estava acabada de tanta lágrima que recebeu, mas ela sabia que seu sentimento de culpa nunca iria se acabar, nem em sua mente, e nem em seu coração.

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